O pânico vem tomando conta de tudo aos poucos, dominando timidamente, delicadamente. Onde havia luz, agora não damos mais atenção. A sombra vem nos envolvendo, vem sussurrando ideias pelas paredes do quarto. A luminária se apaga como que por medo. Antes calor, agora o quarto frio denuncia nossa respiração arfante com nuvens de umidade bem diante do rostos cinzas, focinho diante de focinho. A sombra sobe pelas pernas destapadas, congelando e rasgando cada detalhe da musculatura escondida debaixo da pele, musculatura fraca e covarde. Deitados no chão, buscando calor nas frias luzes da noite, pálidas, que se arrastam pelos vãos da janela e se agarram em teto e parede, lonje demais dos dedos quebradiços. A sombra domina os rostos, a expressão passa pelo horror de uma dor muda e invisível que não respira. O que eu pensava ser tu, sou só eu refletido no espelho.
Sozinho, em pânico, desesperado, escravo dos pesadelos que dançam pelo quarto, congelado, accorrentado em medos... Sozinho